terça-feira, 19 de janeiro de 2010

The Doors - Riders on the Storm (original album version) - Music Video



Jim Morrison



Jim Morrison (nascido James Douglas Morrison; Melbourne, 8 de Dezembro de 1943 — Paris, 3 de Julho de 1971) foi um cantor, compositor e poeta norte-americano, vocalista da banda de rock The Doors. Foi o autor da maior parte das letras da banda.

Jim Morrison era filho do almirante George Stephen Morrison e sua mulher Clara Clark Morrison, ambos funcionários da marinha americana. Seus pais eram conservadores e rigorosos, todavia Jim acabou por tomar para si pontos de vista completamente antagônicos aos que lhe foram ensinados. Ainda jovem, foi escoteiro.
De acordo com Morrison, um dos eventos mais importantes da sua vida aconteceu em 1947, então com quatro anos, durante uma viagem de família ao Novo México, que ele assim descreveu:

A primeira vez que descobri a morte… eu, os meus pais e os meus avós, íamos de automóvel no meio do deserto ao amanhecer. Um caminhão carregado de índios, tinha chocado com outra viatura e havia índios espalhados por toda a auto-estrada, sangrando. Eu era apenas um miúdo e fui obrigado a ficar dentro do automóvel enquanto os meus pais foram ver o que se passava. Não consegui ver nada – para mim era apenas tinta vermelha esquisita e pessoas deitadas no chão, mas sentia que alguma coisa se tinha passado, porque conseguia perceber a vibração das pessoas à minha volta, então de repente apercebi-me que elas não sabiam mais do que eu sobre o que tinha acontecido. Esta foi a primeira vez que senti medo… e eu penso que nessa altura as almas daqueles índios mortos – talvez de um ou dois deles – andavam a correr e aos pulos e vieram parar à minha alma, e eu, apenas como uma esponja, ali sentado a absorvê-las.
Os pais de Morrison afirmaram que tal incidente nunca ocorreu. Morrison dizia que ele ficara tão perturbado pelo caso que os seus pais lhe diziam que tinha sido um pesadelo, para o acalmar. Em qualquer caso, tenha sido real ou imaginário, o incidente marcou-o profundamente, e ele fez repetidas referências nas suas canções, poemas e entrevistas, como por exemplo no tema "Peace Frog" e "Ghost Song".
Com seu pai servindo à marinha, sua família se mudava constantemente. Passou a maior parte da infância em San Diego, California, e, em 1958, entrou para a Alameda High School, em Alameda, embora tenha se formado na George Washington High School, em Alexandria, Virginia, em junho de 1961. Foi morar com os avós em Clearwater, Florida, onde tomou aulas no St. Petersburg Junior College. Em 1962, se transferiu para a Florida State University.

The Doors



Morrison tornou-se um descobridor, interessado em explorar novos caminhos e sensações diferentes, e seguiu uma vida boémia na Califórnia, frequentou a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), formando-se no curso de cinema, deambulando por lá, dormindo em sofás telhados, andou por Venice, Los Angeles, devorando livros. Após a graduação pela UCLA, Morrison, após um encontro casual com o seu antigo colega Ray Manzarek, leu-lhe alguns poemas ( entre os quais o famoso "Moonlight Drive"), e ambos decidiram na hora fazer uma banda rock. Para completar a banda vieram mais dois membros juntar-se a eles, Robby Krieger e John Densmore, que Ray conhecia das suas aulas de meditação. O nome da banda – The Doors - foi inspirado no livro The Doors of Perception de Aldous Huxley, que o tinha ido buscar a um verso de um poema de William Blake, que dizia: If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man as it is, infinite. (Se as portas da percepção estiverem limpas/ Toda coisa se apresentará ao homem como ela é, infinita)- The Marriage of Heaven and Hell. Morrison desenvolveu um estilo de cantar único e um estilo de poesia a tocar fortemente no misticismo.
Morrison adoptou a alcunha de "Mr. Mojo Risin'", um anagrama de "Jim Morrison" e que ele usou como refrão na música "LA Woman" no álbum com o mesmo nome e o último que gravou. Era também chamado de Lizard King retirado de um verso do seu famoso épico "The celebration of the Lizard", parte do qual foi gravado no álbum Waiting for the Sun, adaptado a musical nos anos 1990.
Ainda antes da formação dos Doors, Morrison começou a consumir várias drogas, a beber álcool em grandes quantidades e a entregar-se a diversos prazeres, aparecendo embriagado para as sessões de gravação (podendo ouvir-se soluços em "Five to one").
Apesar de nunca se ter sentido próximo da sua família, Morrison protegia os seus companheiros de banda. Aparentemente, uma vez disse a Ray Manzarek que nunca se sentia confortável num encontro social a não ser que ele ou outro membro do grupo estivesse com ele. Morrison recusou algumas oportunidades de carreira a solo.
Em Março de 1971, após todos os membros da banda terem decidido parar por algum tempo, Morrison mudou-se para Paris na companhia da sua namorada de sempre, Pamela Courson, com o propósito de se concentrar na escrita.

MORTE

Em Paris, morreu em 3 de Julho de 1971, na banheira, aos 27 anos de idade. Muitos fãs e biógrafos especularam sobre a causa da morte, se teria sido por overdose,pois embora Jim não fosse conhecido por consumir heroína, Pam fazia-o (morreu de overdose em 1973) e é sabido que nesse Verão correu Paris à procura de heroína de uma pureza invulgar. Outra hipótese seria um assassinato planejado pelas próprias autoridades do governo americano. Morrison referiu-se a si próprio como sendo o nº 4 a morrer misteriosamente, tendo sido os três primeiros Jimi Hendrix, Janis Joplin e Brian Jones (todos mortos com 27 anos) O relatório oficial diz que foi "ataque de coração" a causa da sua morte. Está sepultado no famoso cemitério do Père-Lachaise em Paris. Devido a actos de vandalismo de alguns fãs, por diversas vezes a associação de amigos do cemitério sugeriu que o corpo fosse transferido para outra necrópole. (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)



COMENTÁRIO DE VINÍCIUS SAN FELICE
Ontem assistindo The Doors, o filme, depois de 10 anos, revivi as mesmas sensações que me diziam porque aquela é a melhor banda de rock, para simplificar, mas também a maior em termos artísticos-políticos-sociais e toda essa coisa, mais a poesia de Jim Morrison (que é o assunto do post).

A poesia de Jim Morrison foi cada letra dos The Doors até eu saber que aquele maluco, Rimbaud contemporâneo (comparado a ele por Wallace Fowlie), saiu como simples bêbado, drogado etc. Morrison é autor de três livros de poesia: The Lords & The New Creatures (1971), Wilderness (1988) e The American Night: The Lost Writings of Jim Morrison (1991). O primeiro tem tradução para o português (edição brasileira).

Texto extraido do site VOLTA QUINTANA


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Nossa Amizade By Luiz Britto | Dezembro 12, 2009 - 8:00 am - Posted in Crônicas

(MENINAS LENDO - PICASSO)

Gente que a gente conhece há muito tempo é como um bom sapato velho: é macio, o nosso pé já está acostumado com ele, não estranha. O sapato já faz parte da vida da gente, é um complemento agradável e bem aceito. Gente é a mesma coisa: os velhos amigos. Ficamos à vontade. Mesmo que não os vejamos há muito tempo, em minutos ou segundos volta a mesma amizade, a mesma intimidade, sentimo-nos bem, deslizamos numa conversa amável, sem arestas, e com plenitude de assuntos. Outro dia aconteceu assim com Widmer e com Dionísio — este não via há anos — quando os encontrei num casamento. E, mais recentemente, com Thomaz e Lalado.
São tipos bem distintos, quase estão nas pontas extremas do mesmo arco. Thomaz faz o seu cooper matinal quando pode, e assim eu o encontrei na Centenário: andando, sapato tipo Nyke nos pés, camisa nova, colorida, um ar preocupado. Ele tem muitos afazeres, aquela andança tem seus minutos contados. Dali vai para a Faculdade, para as aulas, na madrugada passada esteve corrigindo provas de alunos, e então tem pacientes esperando por ele no consultório, problemas da clínica ou do laboratório pra serem resolvidos. Isso fora as viagens, os congressos, encontros com outros médicos, textos que escreve, livros que lê, discos que faz com a mulher e por aí vai. Uma vida cheia.
Eu o conheço desde o ginásio, no Marista. Aluno aplicado, eterno primeiro de aula, muita honra e distinção, prêmios e mais prêmios. Na época era Presidente de um Grêmio Lítero-Desportivo que eu nem sabia que existia, só estou tomando conhecimento agora. A vida nos tem trazido por caminhos paralelos. Ora somos vizinhos, logo somos compadres (pois ele é o padrinho de minha filha), depois vira incentivador de minha pintura, e aí descobrimos que somos primos — e pelos dois lados. A irmã de minha bisavó casou-se e foi morar em Sergipe: é a bisavó dele. O lado Britto vem de um tronco comum: o de Irmã Dulce, que é Britto. Primos em 5º grau no primeiro caso e algo semelhante no segundo.
Conversamos sobre literatura, sobre doenças, filosofias de vida — ele empatando o meu exercício na bicicleta, eu as caminhadas dele. Surgem, na conversa, referências a Tchekhov, a Tolstoy, imito cachorros latindo, primeiro um cachorrinho magrela, depois um cachorrão, Thomaz aplaudindo as imitações, nas gozações de sempre. Está risonho, feliz e cordial. Esqueceu por um momento os estreptococos e outros cocos. Lembra o irmão Edu, recentemente falecido, com um câncer que se alastrou rápido e sem cura. E eu recordo a imagem que guardo de Edu, menino ainda, um frangote com seus 11 ou 12 anos. Vejo-o, por segundos, à minha frente…
Na oportunidade comento que temos tanta intimidade, a amizade é tão velha que a gente se sente bem e é bom conversar. Ele lamenta que eu não apareço no apartamento dele, oferece-me a casa na praia para uma temporada, “quando você quiser, basta avisar”. Uma conversa longa, que não acaba mais. Ele se despede com um vigoroso aperto de mão — no meu estilo, a mão no antebraço, como os antigos romanos — e vai embora. E lá vou eu atrás, porque me surgiu mais uma coisinha pra dizer… E reencentamos a mesma conversa, agora no outro passeio.
No dia seguinte me encontro com Lalado. Seis e meia da manhã, na esplanada do Forte, no Porto da Barra. Eu vinha de uma hora na bicicleta, na ciclovia da Centenário, fora espiar o mar. Aquele mar limpo, azul claro, espelhado e feliz do Porto. Botes e barcos de pesca ao embalo da brisa, depois do pequeno quebra-mar, imensos cargueiros ancorados lá longe, no meio da baía. Vira os pescadores conversando, desfraldando suas velas, pintando os mastros, e já ia voltando quando ouço me chamarem:
— Britto!
Lalado e Simone. Estavam guardando as bicicletas, amarrando-as num poste de luz. Simone sorri, comenta que fiquei bem com a cabeça meio grisalha. Deve haver algo poético nisso: o cinza, afinal, é algo bem mais sutil e rico do que o preto retinto. Até os meus cachos estão indo embora: o cabelo vai alisando, vai-se acomodando, vão-se embora as ondas no temporal, na tormenta, aparecem ondas lisas e mansas, talvez parecidas com esse mar azul claro que ora descortino. Um mar banhado de luz e paz.
Lalado é um companheiro velho. Antes de me conhecer, já era amigo de meu cunhado Oriovaldo. Anda de bicicleta, como eu, é vegetariano a vida toda, budista, contestador, rebelde e muito feliz. Faz o que quer e isso é a chave da mais perene felicidade. Quando converso com ele recebo uma injeção de otimismo, alegria, juventude, entusiasmo, espontaneidade, felicidade. Ele exagera tudo, tudo vai dar certo, tudo é ótimo e maravilhoso. E talvez seja. Simone vai andar e nós ficamos a conversar. Assunto é que não falta.
Lalado está com uma sandália velha, a camisa meio surrada, a bicicleta um tanto enferrujada. Diz ele que assim não desperta a cobiça de ninguém. Pode deixar a sandália e a camisa na praia que ninguém leva. Quem o vê assim, folgazão, sorridente, cabelos ainda escuros, a barbicha já com a ponta branca, não pode imaginar o seu preparo. Formado em Direito, curso de Administração, 6 anos em São Paulo, trabalhando na Price & Waterhouse, e depois dirigindo empresas na Bahia, trabalhando na Odebrecht. Largou tudo pra ser livre como um passarinho — e é. Não ter horário. Não ter patrão imediato. Poder ver as filhas crescerem, no espanto da infância.
Fez como Guimarães Rosa, foi ser burocrata, funcionário público, pra poder ter seu tempo livre. Na Odebrecht prometeram-lhe mundos e fundos, até um cargo de chefia em Paris…
— Não, eu respondi, prefiro ver as minhas filhas crescerem…
Poder ver as filhas crescerem, no espanto da infância. Poder ir para a praia, tomar sol, ver o por do sol no Farol da Barra, tanta coisa que ele queria fazer!
Essa conversa sobre a Odebrecht surgiu porque eu disse que se ele continuasse na Odebrecht seria um diretor, estaria ganhando mais de um milhão de dólares por mês, estaria na Europa — ele respondeu “é mesmo” e me contou essa parte de sua vida que eu nem conhecia.
Um laço firme de amizade me une com Simone e Lalado. Afinal, ele é a base de Lulu Cascatinha, personagem do meu primeiro livro, COCO DE BRASILEIRO — foi assim que foi detonado todo o meu processo criativo, literário. E ele sabe disso.
Volto pra casa e lhe mando um e-mail que termina com a seguinte frase, um statement, como dizem os americanos:
Amizade antes de tudo — tesouro que não tem preço e que está nas ruas e no coração dos amigos.

demais crônicas no arquivo Crônicas do site www.bahiapress.com.br

sábado, 28 de novembro de 2009

KID MORENGUEIRA - MOREIRA DA SILVA


Meus filhos eram pequenos e descobriram um velho K7 com musicas de Moreira da Silva, foi amor a primeira vista. Até hoje (e isso lá se vão 20 anos) eles cantam "O Rei do Gatilho", sabem a letra de cor e salteado. Moreira mesmo se definia como um imitador de malandro, malandro mesmo ele não foi, mas cantou a malandragem como ninguém.

PEQUENA BIOGRAFIA

"Antonio Moreira da Silva nasceu no Rio de Janeiro, em 1º de abril de 1902, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 6 de junho de 2000. Foi um cantor e compositor brasileiro, também conhecido como Kid Morengueira. Filho mais velho de Bernardino de Sousa Paranhos, trombonista da Polícia Militar, e de Dona Pauladina de Assis Moreira.

Carioca da Tijuca, criado no Morro do Salgueiro, só iniciou os estudos aos nove anos, mas abandonou a escola aos onze anos, quando da morte do pai. Foi empregado de fábricas, tecelagens e chofer de praça e de ambulância. Iniciou a carreira em 1931, com "Ererê é Rei da Umbanda". Em 1992, foi tema do enredo da escola de samba Unidos de Manguinhos. Em 1995, gravou "Os 3 Malandros In Concert", com Dicró e Bezerra da Silva, aos 93 anos de idade. Em 1996, foi tema do livro Moreira da Silva – “O Último dos Malandros”.

Com 98 anos de idade, ainda se apresentava em shows. Suas músicas: “Implorar” (1935); “Jogo Proibido” (1937); “Acertei no Milhar” (1940); “Amigo Urso”; “Fui a Paris”; “Na Subida do Morro”; “O Rei do Gatilho”, onde surge o Kid Morengueira (1962); “O Último Dos Moicanos” (sequência de “O Rei Do Gatilho”)(1963)."
(VELHOS AMIGOS)







Foto: http://www.velhosamigos.com.br

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

The Monkees

Não se tornaram ícones como os Beatles, mas não há duvidas de que marcaram uma época...



BONS TEMPOS AQUELES...

THE HOLLIES - He Ain't Heavy, He's My Brother



He Ain't Heavy, He's My Brother


The road is long
With many winding turns
That leads us to
Who knows where, who knows where

But I'm strong
Strong enough to carry him
He ain't heavy, he's my brother

So on we go
His welfare is my concern
No burden is he to bear
We'll get there

For I know
He would not encumber me, oh no.
He ain't heavy, he's my brother

If I'm laden at all
Then I'm laden with sadness
That everyone's heart
Isn't filled with gladness
Or love for one another

It's a long, long road
From which there is no return
While we're on the way to there
Why not share?

And the load
Doesn't weigh me down at all

He ain't heavy, he's my brother


Ele não pesa, ele é meu irmão

A estrada é longa
Com muitas voltas sinuosas
Isso nos conduz a quem sabe onde
Quem sabe onde

Mas eu sou forte
Forte bastante para carrega-lo
Ele não pesa, ele é meu irmão

Assim nós vamos
O bem-estar dele é a minha preocupação
Ele não é nenhum fardo para agüentar
Nós chegaremos lá

Porque eu sei
Ele não me embaraçaria
Ele não pesa, ele é meu irmão

Se eu estou carregando tudo
Eu estou carregando com tristeza
Pois todos os corações
Não estão cheios com a alegria
Do amor de um para com o outro

É uma estrada longa, longa
Da qual não há nenhum retorno
Enquanto nós estamos a caminho de lá
Por que não dividimos?

E a carga
Não me pesa em nada
Ele não pesa, ele é meu irmão

Ele é meu irmão
Ele não pesa, ele é meu irmão

The Marmalade - Reflections Of My Life


Reflections Of My Life

THE CHANGING OF SUNLIGHT TO MOONLIGHT
REFLECTIONS OF MY LIFE
OH HOW THEY FILL MY EYES
THE CREEPING OF PEOPLE IN TROUBLE

REFLECTIONS OF MY LIFE
OH HOW THEY FILL MY EYES
OH MY SORROW, SAD TOMORROW
TAKE ME BACK TO MY OLD ROAD

OH MY CRYING,
FEEL I'M DYING
DYING
TAKE ME BACK
TO MY OLD ROAD

I'M CHANGING
ARRANGING
I'M CHANGING
I'M CHANGING EVERYTHING
EVERYTHING AROUND ME
THE WORLD IS
A BAD PLACE, A BAD PLACE
A TERRIBLE PLACE TO LIVE
BUT I DON'T WANNA DIE

Reflexões da minha vida

A mudança da luz do sol para a luz do luar
São reflexões da minha vida
E como enchem meus olhos ...
A agitação das pessoas em apuros

São reflexões da minha vida
E como enchem meus olhos ...
Por favor tristeza,
Triste amanhã
Levem-me de volta,
Para meu velho caminho

Por favor meu pranto,
Sinto que estou morrendo,
Morrendo
Levem-me de volta,
Para meu velho caminho

Estou mudando
Arranjando
Estou mudando,
Mudando todas as coisas
Tudo ao meu redor
O mundo é um lugar ruim,
Um lugar ruim
Um lugar terrível
Para se viver
Mas eu não quero morrer ...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

UM DURANGO NA DASLU - DENIS CAVALCANTI - PEQUENA BIOGRAFIA


Sempre tive vontade de conhecer essa tal de Daslu.
Já que estava em São Paulo , por que não ir? Ainda mais depois que me disseram que lá não existe nenhuma peça que custe menos de três dígitos, resolvi dar uma de São Tomé e ver para crer.
A entrada já foi um problema. O segurança perguntou pelo meu carro - ou motorista. Quem já foi sabe muito bem: na Daslu - acreditem - não se entra a pé, somente motorizado.
Fingi que não era comigo e entrei.
Fui recepcionado por uma loira escultural com sorriso de anúncio de dentifrício, uma sósia escrita e escarrada da Ana Hickman - com direito a 1m30 de pernas, chapinha no cabelo, olho azul e muito mais.

- 'Where are you from?'.

- 'Belém do Pará'.

- 'I beg your pardon!'

Tava na cara que eu não era paulistano. Mas daí a me confundir com gringo, já é demais. Eu lá tenho cara de estrangeiro! Como um cão sabujo, onde eu ia, ela ia atrás.
Dos milhares de itens que admirei boquiaberto, um em particular me encantou. Uma bolsa tiracolo Prada pra lá de maneira que imaginei que coubesse no meu orçamento.
Ressabiado, indaguei o preço.

- 'Nove, apenas nove. E o senhor pode dividir em três vezes no cartão'.

- 'Nove o quê?'

- 'Nove mil...'

- 'ARRE ÉGUA"!!!

A pequena ficou tão assustada com minha reação que cheguei a pensar que fosse chamar os seguranças. Mas não.
Acho que ela sacou que daquele mato não sairia cachorro, no máximo um carrapato.
Fechou a cara, deu meia-volta e sumiu.
Já que estava na chuva, resolvi me molhar.
Entrei num salão onde só tinha Armani. Como já estava enturmado, perguntei o preço de um 'vestidinho' de festa. Adivinhem? 100.000 pilas. Tu és doido! Uma estola de zibelina? 60.000 ..
Fico imaginando quantos bichinhos foram sacrificados para esquentar o lombo de uma madame.
Um blaser Ermenegildo Zegna (isso lá é nome de grife?), 13.000 .
Um óculos Gucci, 4.500.
Uma cuequinha básica do Valentino, 260. Com direito a ouvir essa pérola do vendedor:
- 'Leve logo meia dúzia, tá na promoção!'.Imaginem quanto ela custava antes.

Na adega climatizada não foi diferente. Um Romaneé-Conti, safra 2000 - aquele do Lula - estava por módicos 8.000 reais. Uma garrafa de Johnnie Walker Blue, envelhecida 80 anos - uma das raras existentes no planeta, 55.000.

Fiz as contas e verifiquei que no final saí no lucro.
'Charlei', vi gente famosa, coisas bonitas, tomei mineral Badoit, capuccino, Prosecco, champanheTaittinger, fartei-me de canapés, fois gras, blinis com caviar (não era Beluga). Sou duro, mas sei o que é bom. Até confit de canard tracei. De quebra, profiteroles e apetitosos bombons trufados.
As horas passaram voando. Minha acompanhante finalmente apareceu e perguntou:

- 'Vamos almoçar?'

- 'Almoço? Estou almoçado e jantado!'

Depois de conhecer quase tudo descobri que a Daslu é uma espécie de zoológico sem grades. Só que os bichos somos nós. Eu e você. Acabado, me esparramei num confortável sofá. Enquanto esperava o resto da turma chegar, abri um livro e relaxei. Mal virei a segunda página, dois novos ricos falando alto, com mais sacolas do que mãos, sentaram ao meu lado esnobando:

- 'Amanhã vamos para o nosso haras em Catanduva( São Paulo) O réveillon será no Guarujá'.

Me deu uma raiva... Peguei meu celular e resolvi mentir um pouco:

- 'Paulo, não encontrei nenhum 'Summer' para o réveillon. Abastece o jatinho.

Partimos amanhã cedo para Paris. Essa Daslu tá um lixo!'

A cara que os dois fizeram, não tem preço...

 
Gostou? Eu também, só que quando li, não conhecia o autor, mas como boa pesquisadora do Google que sou fui a caça de informações. Descobri que o autor é Denis Cavalcante (homônimo do artista plástico, mas não é ele, não se engane) Leiam este artigo, não é uma biografia, mas pelo menos dá para conhecer um pouco melhor o trabalho do Denis. Dá também para perceber que virei fã. Para mais crônicas de Denis Cavalcanti acessem O LIBERAL - DIGITAL

Quando os cronistas se encontram

Edição de 15/12/2008

Há 26, quase 27 anos, os leitores de O LIBERAL conhecem João Carlos Pereira. Denis Cavalcante também é velho - mas não tanto - conhecido dos leitores. João começou a escrever crônicas em 1982, num caderno que era a continuação do primeiro e que, na Redação, tinha o curioso nome de 'rabo'. Lá é que se publicavam as notícias de variedades, artes e espetáculos. Com o surgimento do Caderno 'Mulher', foi levado para o suplemento feminino. Quando surgiu um espaço só para cronistas, a coluna 'Bom Dia', mais uma vez mudou de lugar. Foi no 'Bom Dia' (inaugurado pelo João, a convite do redator-chefe, Walmir Botelho) que Denis Cavalcante e João Carlos Pereira encontraram-se, depois de percorrer caminhos paralelos no mesmo jornal. Quem lê o Denis, lê o João e vice-versa. A partir de agora, os dois mais antigos cronistas de O LIBERAL poderão ser lidos de uma vez só, sem que haja necessidade de se esperar pela sexta-feira, dia do Denis, ou pela segunda, do João. Eles estão juntos no livro 'Rio Memória', que será lançado hoje, a partir das 19 horas, na Assembléia Paraense da Presidente Vargas.

A experiência de fazer um livro a quatro mãos nasceu da amizade entre Denis e João. Eles se conheceram em 2002. A amizade não nasceu de uma vez. João Carlos Pereira e Denis Cavalcante foram, aos poucos, se encontrando. Eleito para a Academia Paraense de Letras, João viu o Denis começar a freqüentar a APL. Quando decidiu concorrer a uma vaga, no Silogeu, Denis tinha garantido, apenas, o voto do acadêmico Hilmo Moreira ('tudo é culpa do Hilmo', acusa). Nesse momento, João Carlos entrou na campanha e ajudou o novo amigo. Era outubro e, por um voto (um acadêmico esqueceu de mandar a cédula para os três escrutínios, certo de que o Denis se elegeria na primeira rodada e, ao enviar apenas uma voto, impediu a eleição do cronista) perdeu a eleição. Na noite em que foi proclamado o resultado, apenas Hilmo Moreira, eleitor da primeira hora, e João Carlos foram ao apartamento do quase-imortal para dizer que não desistisse. Tomaram uísque, conversaram e conseguiram dele compromisso de não desistir. Poucos meses depois, enfrentando outra campanha, foi eleito.


NA APL


Tanto Denis, quanto João, sabem que chegaram à APL a bordo das crônicas que publicaram em O LIBERAL. 'Tenho dito e escrito que minha vida mudou de rumo, depois que cheguei ao Jornal. Sem O LIBERAL e sem a Fundação Romulo Maiorana, onde trabalhei por muitos anos, pouco ou nada teria feito', agradece João. 'Meu caso é igual ao do João. Se o Walmir (Botelho - diretor-redator-chefe de O LIBERAL) não tivesse acreditado em mim, eu estaria no mais completo anonimato', diz Denis. As crônicas de 'Rio Memória' foram publicadas, inicialmente, em O LIBERAL e mostram Denis e João em sua melhor forma. 'Nós precisamos dizer muito obrigado também ao Altino Pinheiro, presidente da Imprensa Oficial, que muito tem ajudado a Academia e muito tem feito pelos autores paraenses. Nós temos uma dívida de gratidão para com ele', reconhecem os autores.

Denis Cavalcante é livreiro, jornalista (pertence, inclusive, à Academia Paraense de Jornalismo) e chef da cozinha do badalado restaurante 'Baú Bistrô'. No quarto ano do curso de medicina, resolveu que não queria ser médico e mergulhou no mundo dos livros. João Carlos é jornalista, pertence ao Conselho Estadual de Cultura do Pará e é professor universitário. O tempo não revela a dimensão da amizade que une os dois acadêmicos. 'O Denis sempre teve um amigo que fosse o contraponto dele. É agitado, irrequieto, fala alto e diz o que pensa, antes de pensar. O João é o inverso: é calmo, ponderado e só fala depois de muito pensar. O curioso que o Denis gosta de pessoas assim. O Luis Roberto Meira era como o João e os dois foram irmãos. O João, hoje, é o irmão que o Denis não teve', compara Rejane Cavalcante, esposa do Denis. 'O João e o Denis são água e vinho. Mas o João gosta muito do Denis. Gosta dele como um irmão. Quando o telefone dele toca antes de 8 horas, eu já sei: é o Denis. E isso é todo dia, todos os dias do ano. Quando o Denis não liga, ele liga', entrega Emília Farinha Pereira, esposa do João. 'São dois cronistas da melhor qualidade. Posso dizer que O LIBERAL está muito bem servido com eles. O João e o Denis seriam cronistas de primeira grandeza em qualquer lugar do Brasil. Para nossa sorte, eles estão em Belém', elogia o presidente da APL, acadêmico Édson Franco, que deu posse aos dois. 'Eles já preparam três belas antologias para a Academia. Este é, portanto, o quarto trabalho que fazem a quatro mãos’, acrescenta

Cronistas do cotidiano, Denis e João têm estilos bem diferentes, mas, no geral, tratam, essencialmente, do ser humano. 'O João diz que eu escrevo para fora e ele, para dentro. Pode ser. Não sei bem o que é isso, mas acho que ele tem razão'. 'O Denis é mais um contador de histórias. E isso ele faz como ninguém. Eu tenho outro jeito de fazer crônica. Vou mais pelos caminhos da alma. Mas cada um é cada um e assim como há crônicas do Denis que eu gostaria de ter assinado, há textos meus que ele garante que roubaria para dizer que eram dele. Na verdade, nós somos amigos fraternos e isso basta', finaliza João.

Belém, Quarta, 18/11/2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

FACUNDO CABRAL


Facundo Cabral é um cantor Argentino, nascido em 22 de maio de 1937 na cidade de Balcarce, província de Buenos Aires, Argentina. Em tenra idade seu pai deixou a casa deixando a mãe com três filhos, que emigraram para Tierra del Fuego no sul da Argentina.
Cabral teve uma infância dura e desprotegida, tornando-se um marginal, a ponto de ser internado em um reformatório. Em pouco tempo conseguiu escapar e, segundo conta, encontrou Deus nas palavras de Simeão, um velho vagabundo

Em 1970, ele gravou "No Soy De Aquí, Ni Soy De Allá" e seu nome fica conhecido em todo o mundo, gravando em nove idiomas e com cantores da estatura de Julio Iglesias, Pedro Vargas e Neil Diamond, entre outros.

Influenciado, no lado espiritual, por Jesus, Gandhi e Madre Teresa de Calcutá, na literatura por Borges e Walt Whitman, sua vida toma um rumo espiritual de observação constante em tudo o que acontece em seu redor, não se conformando o que vê, durante sua carreira como um cantor de Música Popular e, toma o caminho da crítica social, sem abandonar o seu habitual senso de humor.

Como um autor literário, foi convidado para a Feira Internacional do Livro, em Miami, onde conversou sobre seus livros, entre eles: “Conversaciones con Facundo Cabral”, “Mi Abuela y yo”, “Salmos”, “Borges y yo”, “Ayer soñé que podía y hoy puedo”, y el “Cuaderno de Facundo”.
Em reconhecimento do seu constante apelo à paz e amor, em 1996, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) o declarou "Mensageiro mundial da Paz”.

Fonte: Facundo Cabral na Wikipedia


Não estás deprimido, estás distraído.

Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia, golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me. O que é fundamental para viver.
Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.
Não estás deprimido, estás distraído.
Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção.
E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.
Não existe a morte, apenas a mudança.
E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, São Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.
Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural.
Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor.
Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida. A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha;
a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo.
E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.
Lembra-te: "Amarás ao próximo como a ti mesmo".
Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.
Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.
Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas:
se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)
Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido... portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade,
disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.
Não estás deprimido, estás desocupado.
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
Dá sem medida, e receberás sem medida.
Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor.
E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas.
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso.
Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.
Facundo Cabral


Fonte: PENSADOR.INFO
www.calixto.com.br
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