quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

FALSA FOLIA


Foto: Max Haack (carnaval 2008)

Faz tempo que venho observando as mudanças do Carnaval.
Sempre piorando, priorizando os resultados econômicos em detrimento da espontaneidade da nossa gente, sempre criativa e ainda mais irreverente durante o reinado de Momo.
Pude fazer agora uma constatação: A folia ficou falsa.
A praça não é mais do povo. É dos camarotes e da televisão.
Os primeiros a ignorar a realidade. A segunda para filmar o inconsistente.
Prá ver a banda passar... nem pensar.
O culto ao mau gosto leva tudo e todos ao desespero, ao oportunismo barato, ralo e raso.
Como comparar a “Mudança do Garcia” com a atual ‘Andança do Garcia’?
Esta, um arremedo chulo, sem brilho, sem magia.
Um retrato fiel de que é possível sorrir de barriga vazia. Mesmo um sorriso falso, um sorriso de quem viu o sol nascer quadrado, um sorriso imperfeito.
O que tive oportunidade de ver na segunda-feira de Carnaval, é de causar náusea.
Meia dúzia, sei lá, de cavaleiros tão bem dispostos que pareciam abrir o funeral do Garcia, capitaneados por um oportunista político sem expressão, que seguia a pé, entre seguranças, como um pateta entre patéticos. Em seguida, tolos de camiseta branca e estampada com estrela vermelha, todos parecidos com produtos perfilados em prateleiras de mercadinho popular. Verdadeiros manequins, imobilizados pelas pontas das estrelas dispostas feito esporas.
Cadê a Mudança do Garcia?
Cadê o Povo? Que venha o Povo!
Prenderam os foliões por trás dos camarotes. Espremeram o povo até tirarem sua última gota de suor. O suor que vem do sal, do sal da vida, do brilho do sol na praça.
Batuque? Onde estão os batuqueiros? Confinados em timbaleiros? Engessados, lado a lado como em navios negreiros, num lamento frenético e sem voz?
A Praça não é mais do povo, nem o céu é do com dor.
A pena é paga aqui mesmo sobre chão. Rastejante insana a devorar alegria.
O povo está ficando mudo. Perplexo, ...”caminhando contra o vento sem lenço e sem documento”, como diz o poeta.
Perplexo, atesta sua inutilidade a serviço do ‘topa tudo por dinheiro’.
Precisamos transformar o Carnaval numa festa de baianos, sem opressão, sem vaidade política partidária, sem o gesso de manequim e sem a mesmice enfadonha.
Sem abadá e com muito mais Abará.
A Bahia é a terra da felicidade, das danças.
Precisamos de mudanças para acabar com as lambanças.
Viva a Mudança!!! A Mudança do Garcia não vai morrer.
Por certo as mudanças virão.
Falsidade! Vai dançar em outro terreiro! Xô!!!
E para deixar o Garcia sempre vivo, um alerta geral:
...”Chou, chuá, cada macaco no seu galho, o meu galho é na Bahia e o seu é em outro lugar”...


Jorge Marcos Britto
Salvador, quarta de cinzas de 2010.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

PEQUENO NOTURNO DE MOZART



Nunca saberemos o que levou Mozart a deixar de lado por um momento a composição de DON GIOVANNI (1787) e aos 31 anos compor esta jóia, a última e mais famosa de suas serenatas. Não existem registro, apenas a música. Originalmente composta para 2 violinos, viola, violoncelo e baixo hoje é executada por conjuntos bem maiores de corda. Mozart consegue emocionar mesmo tendo como material as convenções harmônicas e melódicas bem limitadas do século XVIII e ALLEGRO é uma prova de que mesmo assim tinha um lado jovial e melódioso. Delicioso.
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