quinta-feira, 20 de agosto de 2009

THE CANTERBURY TALES - Geoffrey Chaucer


Os Contos da Cantuária (pt) ou Os contos de Canterbury (br) (no original em inglês, The Canterbury Tales) é uma obra do século XIV escrita por Geoffrey Chaucer, considerado um dos consolidadores e "pai" do idioma inglês.
Homem de confiança da corte, Chaucer vai a trabalho à Itália e entra em contato com o embrionário Renascimento, o que o aproxima da obra de Dante e de Bocácio, influência importante para a composição desse longo poema narrativo, seu texto mais famoso.
A obra descreve a trajetória de 29 viajantes que, saindo de Tabard Inn, dirigiam-se à catedral da Cantuária a partir de Southwark, nas proximidades de Londres, com o objetivo de prestar homenagem ao santuário de São Thomas Becket, um bispo católico assassinado, em 1170, por partidários do rei Henrique II de Inglaterra.
Entre os componentes estavam um cavaleiro e seu escudeiro, um mercador em armas, monges, um frade mendicante, uma prioresa, pároco, um vendedor de indulgências, um estudante, alguns profissionais liberais (um médico, um advogado, um jurista), um moleiro, um feitor, um cozinheiro, um marinheiro, um carpinteiro, um tintureiro, um tapeceiro, um marujo, um lavrador e uma viúva de cinco maridos.
Durante a viagem os peregrinos iam sendo sorteados para que contassem histórias aos demais: relatos de amor, luxúria, sexo e morte, que teriam inspiração em Boccaccio e que apresentam a realidade social da Inglaterra do século XIV.
Os Contos da Cantuária são uma espécie de narração em verso de acontecimentos curiosos, textos recheados de passagens pitorescas, citações clássicas, ensinamentos morais, relacionados à vida e aos costumes do século XIV na região da Cantuária e, por extensão, no resto da ilha britânica. A obra teria influenciado grandes escritores ingleses como William Shakespeare e John Milton.
WIKIPÉDIA

OS CONTOS DE CANTERBURY

Excertos do Prólogo

Quando o chuvoso abril cortou feliz
A secura de março na raiz,
E banhou cada veia no licor
Que tem o dom de produzir a flor;
Quando Zéfiro com o alento doce
Para as copas e os campos também trouxe
Tenros brotos, e o sol de pouca idade
Do curso em Aries percorreu metade,
E a passarada faz o seu concerto,
E dorme a noite inteira de olho aberto
(Que a natureza acende o coração),
Então se vai em peregrinação,
E até nos mais inóspitos confins
Aos santuários chegam palmeirins;
Enquanto na Inglaterra toda gente
Visita Cantuária especialmente,
A fim de conhecer a sepultura
Do santo mártir que lhes trouxe cura.
Naquele tempo, um dia aconteceu
Que em Southwark, no Tabardo, achando-me eu
Pronto a seguir em peregrinação
A Cantuária, todo devoção,
Vieram essa noite à hospedaria
Bem vinte e nove numa companhia
De pessoas diversas que os destinos
Reuniram, por serem peregrinos
Buscando o mesmo fim de igual maneira.
Eram amplos os quartos e a cocheira,
E assim tivemos lá ótimo pouso.
E logo quando o sol buscou repouso,
Falara com cada um, se bem me lembro;
Assim, da comitiva fiquei membro,
E concordei em levantar-me cedo
Para partir, como a narrar procedo.
Porém enquanto tenho tempo e espaço,
E antes que nesta história avance o passo,
Creio de bom alvitre e boa razão
De cada um descrever a condição,
Mostrando, em meu juízo pessoal,
O modo de posição de cada qual,
E também suas roupas e ativo:
E com um cavaleiro principio.
(vv. 1-42)

O Cavaleiro

Havia um CAVALEIRO, um homem digno,
Que sempre, tendo as armas como signo,
Amou a lealdade e a cortesia,
A honra e a franqueza da cavalaria.
Nas guerras de seu amo lutou bem,
E mais distante não andou ninguém,
Entre os pagãos ou pela cristandade;
E sempre honrado por sua dignidade.
Já vira Alexandria prisioneira;
Muitas vezes tomara a cabeceira,
Precedendo às demais nações na Prússia;
A Lituânia visitara, e a Rússia,
Onde cristão tão nobre não se vira.
Em Granada, no cerco de Algecira,
Estivera também, e em Belmaria.
Passou depois por Ayas e Atalia
Quando Caíram, e no Grande Mar
Pôde altos desembarques presenciar
Travou lutas mortais, uma quinzena,
E pela fé bateu-se em Tramassena,
Em três justas, matando ao inimigo,
A este bravo levou então consigo
Certa vez o senhor de Palatia,
Contra um outro pagão lá na Turquia:
Louvores mereceu de todo lábio.
E, além de ser valente, ele era sábio,
Modesto qual donzela na atitude,
Pois jamais dirigiu palavra rude,
Em toda a vida, a estranho ou companheiro.
Era um gentil, perfeito cavaleiro.
Quanto à aparência, era isto que vos falo:
Simples no traje; bom o seu cavalo.
Via-se a grossa túnica manchada
Pela cota de malha enferrujada,
Pois voltava de mais uma missão,
Saindo logo em peregrinação.
(vv. 43-78)

A Prioresa

E estava lá uma freira, PRIORESA.
Sorria assim como a modéstia sói,
E, se jurava, era por Santo Elói;
Essa dama chamava-se Eglantina.
Sempre cantava a prática divina
Com voz fanhosa tal como convém;
Falava ela francês bonito e bem,
Como em Stratford-at-Bow a gente o diz,
E não com o sotaque de Paris.
Sua conduta à mesa era educada;
Da boca não deixava cair nada,
Nem no molho afundava muito os dedos.
Da graça no comer tinha os segredos,
Sem uma gota respingar no peito.
O seu refinamento era perfeito.
Limpava tanto o lábio superior
Que a taça em que bebia o seu licor
Nenhum indício tinha de gordura;
Sabia ela servir-se com finura.
E era de ânimo alegre, certamente,
E se mostrava amável e contente;
As etiquetas copiava inteiras
Da corte, para ter boas maneiras
E de todos granjear a reverência.
Para falar, porém, de Sua consciência,
Tinha tanta piedade e fino trato,
Que até chorava quando via um rato
Morto na ratoeira, ou a sangrar
Os seus cãezinhos vinha alimentar
Com pão branquinho e leite e carne assada.
Mas, se um deles levasse bastonada,
Ou se morresse, ardia de aflição:
Era toda consciência e compaixão.
O véu pregueado lhe estava mal;.
Nariz reto; olhos cinza, de cristal;
Pequena a boca rúbida e macia;
Bela testa sem dúvida exibia,
Com quase um palmo de largura, eu acho;
Não era nada magra por debaixo
Das vestes, apropriadas por sinal.
Tinha ao braço um rosário de coral
Com as contas maiores esverdeadas,
E um medalhão de refrações douradas
Onde se lia, coroado, um A,
E depois: Amor vincit omnia.
(vv.118-162)

O Médico

Conosco estava um MÉDICO também;
Em todo o mundo não existe alguém
Tão bom em medicina e cirurgia,
E alicerçado assim na astronomia.
Previa a hora propícia contra o mal
Pelo uso da magia natural.
Com firmeza traçava ele o ascendente
Dos amuletos para o seu paciente.
Via a causa de cada enfermidade
No frio, calor, secura ou umidade,
Onde nascia, e qual o seu humor;
Era um perfeito, um ótimo doutor.
Sabendo a fonte de onde o mal provinha,
Receitava ao enfermo sua mezinha,
Surgiam a seguir os boticários
Com suas drogas e remédios vários,
Pois a esta classe aquela classe obriga
Numa amizade já bastante antiga;
Seu Esculápio conhecia bem,
Rufus e Deiscórides também,
O velho Hipócrates, Ali, Galeno,
Serapião, Razis e Damasceno;
Avicena, Averróis e Constantino;
Bernardo e Gatesden e Gilbertino.
Tinha a dieta muito moderada,
Pois de supérfluo não comia nada,
Mas só alimento rico e digestivo.
Em ler a Bíblia parecia esquivo.
É De vermelho e de azul vinha vestido;
De seda e tafetá era o tecido
Gastava o seu dinheiro com cuidado,
Guardando o que na peste havia lucrado.
Como o ouro entre os cordiais tem mais valia,
Ao ouro mais que tudo ele queria.
(vv. 411-444)

A Mulher de Bath

Uma MULHER de BATH havia em cena;
Mas era meio surda, o que era pena.
De bons tecidos era fabricante,
Chegando a superar Yprês e Gante.
Tirar-lhe alguém na igreja a precedência
No beijo da relíquia era imprudência,
Porque ela abandonava as boas maneiras
E perdia de vez as estribeiras.
Seus lenços, feitos das melhores fibras,
Por certo pesariam bem dez libras,
Que aos domingos na testa carregava.
Nas calças justas o escarlate usava,
E era novo e macio o seu calçado;
Rosto atrevido, belo e avermelhado.
Em sua vida digna. e benfazeja
Cinco vezes casara-se na igreja -
Fora os casos de sua juventude
(Falar disso, porém, seria rude).
Com três viagens a Jerusalém,
Atravessara rios mais que ninguém;
Em Roma tinha estado, e mais Boulogne;
Na Galícia, em Santiago, e então Colônia.
Vira assim muitas coisas diferentes.
Mostrava uma janela entre seus dentes.
Num cavalo esquipado, usando um véu,
Cavalgava debaixo de um chapéu
Mais largo que um broquel ou que um escudo;
Sobre os amplos quadris, um sobretudo;
De esporas pontiagudas se servia.
Ria e tagarelava em companhia.
Dos remédios de amor tinha abundância,
Pois dessa arte sabia a velha dança.
(vv.445-476)

O Moleiro

Era forte o MOLEIRO, era um colosso,
De músculo era grande, e grande de osso,
E onde lutasse, no pais inteiro,
Sempre levava o prêmio do cameiro.
Era entroncado, largo atrás e à frente.
Tirava qualquer porta do batente,
Ou na testa a quebrava em disparada.
A barba era uma pá, larga e arruivada,
Como porca ou raposa no matiz.
Havia, no espigão de seu nariz,
Verruga de pelugem tão vermelha
Quanto as cerdas que a porca tem na orelha,
Suas narinas, antros de negrura.
Tinha broquei e espada na cintura.
A boca era fornalha desmedida.
Só matracava casos de má vida,
Histórias de pecado e putaria.
Roubava o trigo, e nisto se servia
De seu polegar de ouro, por Jesus.
Branco o casaco, e azul era o capuz.
Tocava a cornamusa com vontade,
E assim nos trouxe fora da cidade.
(vv. 545-566)

A Sugestão do Taberneiro

"Senhores", disse, "agora eis o melhor;
E fazer pouco caso ninguém deve.
Este o ponto - serei rápido e breve:
Que cada um, já que a estrada é tão comprida,
Conte dois contos na viagem de ida
A Cantuária, e que, também depois,
Na volta, cada qual conte mais dois,
Sobre casos antigos do passado;
E aquele que melhor tiver contado,
Ou seja, quem narrar, na circunstância,
Os contos de mais graça e mais substância,
Vai ganhar de nós todos um jantar,
Sentado mesmo aqui neste lugar,
Quando acabar-se a peregrinação.
E, para que haja mais animação,
Eu com prazer me agrego à companhia,
Às minhas próprias custas, como guia.
E quem contradisser meu julgamento
Das despesas fará o pagamento.
Se com isso vós todos concordais,
Dizei-me logo,, não se fala mais,
E eu vou me preparar para a partida."
(vv. 788-809)

VIZIOLI, Paulo. A Literatura Inglesa Medieval. São Paulo: Nova Alexandria, 1992. Edição bilíngüe. Seleção, tradução e notas de Paulo Vizioli.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

RIO BRAVO



Começo aqui um mês dedicado ao DUCK (John Wayne). Se fosse começar pelos grandes filmes, seria por Rastros de ódio, mas resolvi jogar no palitinho, pois bons ou medianos gosto de todos. Chega a ser engraçado a repetição da mesma fórmula, se você é fã deve ter assistido El Dorado, Rio Lobo e mais um ou dois que seguem esta mesma fórmula, surpresas? Nenhuma, mas não deixa de ser uma delícia assistir a estes velhos clássicos. eu simplesmente ADORO!

Rio Bravo: o faroeste perfeito
por Luiz Zanin, Seção: Cinema, Críticas 12:28:07.
Onde Começa o Inferno (Rio Bravo, 1959) é um daqueles filmes sobre os quais já correram rios de tinta. Em especial, porque os então jovens críticos da Cahiers du Cinéma colocaram Howard Hawks no pedestal da autoria cinematográfica, apenas um pouco abaixo de Alfred Hitchcock.

Como ver então esse filme? Ou melhor, como revê-lo já que, como qualquer outro clássico, Rio Bravo é suposto como parte indispensável do conhecimento cinematográfico de qualquer cinéfilo que se leva a sério? Pois bem, uma maneira talvez interessante, no momento em que ele sai em DVD em edição luxuosa da Warner (R$ 39,90), é atentar para o que faz deste filme um western perfeito e um permanente encanto para quem gosta de cinema.

A história é aquela que todos conhecem. John Wayne é o xerife de uma cidadezinha. Ele precisa defender a cadeia contra um bando bem armado que deseja libertar um companheiro lá preso. Wayne conta apenas com a ajuda de um velho manco (Walter Brennan) e um alcoólatra em recuperação (Dean Martin). A eles se une o jovem pistoleiro rápido no gatilho (Ricky Nelson). E o grupo se completa com a presença de uma mulher de passado suspeito e cara de anjo (Angie Dickinson), por quem o durão John T. (Wayne) acaba se enrabichando.

Tirando o enfrentamento final, Rio Bravo até que não tem muita ação para um western. Quase nada, de fato. É um faroeste de espera, quer dizer, de clima e, nessa ausência de ação é a sua forma que se depura. Boa parte se passa no interior da velha cadeia e o tempo é ocupado com a convivência dos homens. A tensão sobe, pois os bandidos pedem a um grupo de mariachis que toque incessantemente uma melodia chamada A Degola. Não é preciso dizer o seu significado. Mas nem o medo abala a amizade viril, tão sólida que, ameaçado de morte, há tempo para que o grupo toque e cante duas belas melodias. Não vamos esquecer que Ricky Nelson tem sua origem no rock.

Os elementos míticos do western estão dados: a luta dos bons contra os maus, a ameaça da fêmea ao universo macho, que se defende com a amizade viril, intensa e de poucas palavras. É com esse caráter que se civiliza um país, diz o mito. O engenho de Hawks é tratar esses pontos quase como formas puras, servindo-se de uma linha narrativa mínima, quase inexistente. E, ao mesmo tempo, colocando um certo distanciamento, permitido pelo uso do humor em situações que em tese seriam dramáticas. O resultado é estupendo e não tem paralelo na história do gênero.

(Estadão, Caderno Cultura, 9/7/07)



Compositores: Dimitri Tiomkim / Paul Francis Webster
Interpretes: Dean Martin e Rick Nelson

Sun is sinking in the west
The cattle go down to the stream
The redwing settles in the nest
It's time for a cowboy to dream

Purple light in the canyon
that is where I long to be
With my three good companions
just my rifle pony and me

Gonna hang my sombrero
on the limb of a tree
Coming home sweet my darling
just my rifle pony and me

Whippoorwill in the willow
sings a sweet melody
Riding to Amarillo
just my rifle pony and me

No more cows to be ropin'
No more strays will I see
'round the bend shell be waitin
For my rifle pony and me
For my rifle my pony and me

MEU RIFLE, MEU PÔNEI E EU
tradução (marcia regina de negreiros)

Sol se pondo no oeste
gado desce ao riacho
águia no ninho a pousar
é hora do cowboy sonhar

luz púrpura no cannion
é lá que eu quero estar
com minha doce companheira
somente meu rifle , meu pônei e eu

pendurar meu sombrero
sobre o galho de uma árvore
estou indo para casa minha querida
somente meu rifle , pônei, e eu

curiango no salgueiro
canta doce melodia
vou cavalgar até Amarillo
somente meu rifle, meu pônei e eu

não há mais vacas para amarrar
novilhos desgarrados não verei
Lá na curva ela vai me esperar
por meu rifle, meu pônei e eu
por meu rifle, meu pônei e eu

sexta-feira, 5 de junho de 2009

MORRE O ATOR DAVID CARRADINE... (*1936 - 2009 +)

... mas para toda uma geração que cresceu vendo as aventuras do Kung-fu ele jamais será esquecido, bem como toda uma cultura que cresceu em torno destas aventuras. afinal, quem não se lembra do MESTRE E O PEQUENO GAFANHOTO? Estes vídeos são para recordar uma época que ficará gravada para sempre em nossos corações.



Kwai Chang Caine, na série de TV "Kung Fu", de 1970



O ator David Carradine, famoso por seu papel pela série de televisão “Kung Fu” e por seu papel no filme “Kill Bill” de Quentin Tarantino, foi encontrado morto nesta quinta-feira (4) no quarto de seu hotel em Bangcoc, informou a rede de televisão “ABC“, que cita fontes da Embaixada dos Estados Unidos na Tailândia. Carradine, que tinha 73 anos, estava no país asiático fazendo um filme.
A causa da morte ainda não foi esclarecida, e rumores dizem que Carradine se suicidou por enforcamento. O corpo teria sido encontrado por uma funcionária do hotel sentado num armário com uma corda ao redor do pescoço. Ainda não há mais detalhes sobre a investigação.
David Carradine integrou o elenco de mais de 100 filmes realizados por nomes como Martin Scorsese, Ingmar Bergman e Hal Ashby.
Foi porém a sua personagem de Kwai Chang Caine, um monge shaolin que atravessava a fronteira oeste dos Estados Unidos em 1800, na série televisiva “Kung Fu” que o tornou famoso entre 1972 e 1975.
Ele retomou esta personagem em meados dos anos 1980 num filme de TV e nos anos 1990 na série “Kung Fu: a lenda continua”.

Fonte de pesquisa: CINEMA & AFINS

segunda-feira, 18 de maio de 2009

LER DEVERIA SER PROIBIDO!!



A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura? É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

Autor:
Guiomar de Grammon

segunda-feira, 11 de maio de 2009

AEROSMITH AND JOHN DENVER



Eu poderia ficar acordado só para ouvir você respirar
Ver o seu rosto sorrindo enquanto você dorme
Enquanto você está longe e sonhando

Eu poderia passar minha vida inteira nessa doce
entrega
Eu poderia me perder neste momento para sempre
Todo momento que eu passo com você é o máximo

Não quero fechar meus olhos
Não quero pegar no sono
Porque eu sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce nunca vai ser suficiente
E eu ainda sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada

Deitado perto de você, sentindo o seu coração bater
E imaginando o que você está sonhando
Imaginando se sou eu quem você está vendo
Então eu beijo seus olhos e agradeço a Deus por
estarmos juntos
Eu só quero ficar com você
Neste momento para sempre, para todo o sempre

Não quero perder um sorriso
Não quero perder um beijo
Bom, eu só quero ficar com você
Aqui com você, apenas assim
Eu só quero te abraçar forte
Sentir seu coração perto do meu
E ficar aqui neste momento
Por todo o resto dos tempos



Todas as minhas bolsas estão arrumadas, estou pronto para ir,
Estou parado aqui no lado de fora da sua porta.
Eu odeio acordar você para dizer adeus,
Mas a aurora está rompendo, é manhã cedo.
O táxi está esperando, ele está tocando sua buzina,
Já estou tão deprimido que podia morrer.

Então beije-me e sorria para mim,
Diga-me que você esperará por mim,
Segure-me como se você nunca fosse me deixar ir.
Pois estou partindo num avião a jato,
Não sei quando estarei de volta outra vez;
Oh babe, eu odeio partir.

Tem tantas vezes que te decepcionei,
Tantas vezes que brinquei por aí,
Eu te digo agora, elas não significam nada.
Em todo lugar que for, eu pensarei em você,
Toda canção que cantar, eu cantarei para você;
Quando eu voltar, trarei seu anel de casamento.

Então beije-me e sorria para mim,
Diga-me que você esperará por mim,
Segure-me como se você nunca fosse me deixar ir.
Pois estou partindo num avião a jato,
Não sei quando estarei de volta outra vez;
Oh babe, eu odeio partir.

Agora chegou a hora de te deixar;
Mas uma vez deixe-me beijar você,
Então feche seus olhos, estarei a caminho.
Sonhe com os dias que virão
Quando eu não terei de partir sozinho,
[Sonhe] com os momentos em que não terei de dizer:

Então beije-me e sorria para mim,
Diga-me que você esperará por mim,
Segure-me como se você nunca fosse me deixar ir.
Pois estou partindo num avião a jato,
Não sei quando estarei de volta outra vez;
Oh babe, eu odeio partir...
Related Posts with Thumbnails