quarta-feira, 18 de novembro de 2009

UM DURANGO NA DASLU - DENIS CAVALCANTI - PEQUENA BIOGRAFIA


Sempre tive vontade de conhecer essa tal de Daslu.
Já que estava em São Paulo , por que não ir? Ainda mais depois que me disseram que lá não existe nenhuma peça que custe menos de três dígitos, resolvi dar uma de São Tomé e ver para crer.
A entrada já foi um problema. O segurança perguntou pelo meu carro - ou motorista. Quem já foi sabe muito bem: na Daslu - acreditem - não se entra a pé, somente motorizado.
Fingi que não era comigo e entrei.
Fui recepcionado por uma loira escultural com sorriso de anúncio de dentifrício, uma sósia escrita e escarrada da Ana Hickman - com direito a 1m30 de pernas, chapinha no cabelo, olho azul e muito mais.

- 'Where are you from?'.

- 'Belém do Pará'.

- 'I beg your pardon!'

Tava na cara que eu não era paulistano. Mas daí a me confundir com gringo, já é demais. Eu lá tenho cara de estrangeiro! Como um cão sabujo, onde eu ia, ela ia atrás.
Dos milhares de itens que admirei boquiaberto, um em particular me encantou. Uma bolsa tiracolo Prada pra lá de maneira que imaginei que coubesse no meu orçamento.
Ressabiado, indaguei o preço.

- 'Nove, apenas nove. E o senhor pode dividir em três vezes no cartão'.

- 'Nove o quê?'

- 'Nove mil...'

- 'ARRE ÉGUA"!!!

A pequena ficou tão assustada com minha reação que cheguei a pensar que fosse chamar os seguranças. Mas não.
Acho que ela sacou que daquele mato não sairia cachorro, no máximo um carrapato.
Fechou a cara, deu meia-volta e sumiu.
Já que estava na chuva, resolvi me molhar.
Entrei num salão onde só tinha Armani. Como já estava enturmado, perguntei o preço de um 'vestidinho' de festa. Adivinhem? 100.000 pilas. Tu és doido! Uma estola de zibelina? 60.000 ..
Fico imaginando quantos bichinhos foram sacrificados para esquentar o lombo de uma madame.
Um blaser Ermenegildo Zegna (isso lá é nome de grife?), 13.000 .
Um óculos Gucci, 4.500.
Uma cuequinha básica do Valentino, 260. Com direito a ouvir essa pérola do vendedor:
- 'Leve logo meia dúzia, tá na promoção!'.Imaginem quanto ela custava antes.

Na adega climatizada não foi diferente. Um Romaneé-Conti, safra 2000 - aquele do Lula - estava por módicos 8.000 reais. Uma garrafa de Johnnie Walker Blue, envelhecida 80 anos - uma das raras existentes no planeta, 55.000.

Fiz as contas e verifiquei que no final saí no lucro.
'Charlei', vi gente famosa, coisas bonitas, tomei mineral Badoit, capuccino, Prosecco, champanheTaittinger, fartei-me de canapés, fois gras, blinis com caviar (não era Beluga). Sou duro, mas sei o que é bom. Até confit de canard tracei. De quebra, profiteroles e apetitosos bombons trufados.
As horas passaram voando. Minha acompanhante finalmente apareceu e perguntou:

- 'Vamos almoçar?'

- 'Almoço? Estou almoçado e jantado!'

Depois de conhecer quase tudo descobri que a Daslu é uma espécie de zoológico sem grades. Só que os bichos somos nós. Eu e você. Acabado, me esparramei num confortável sofá. Enquanto esperava o resto da turma chegar, abri um livro e relaxei. Mal virei a segunda página, dois novos ricos falando alto, com mais sacolas do que mãos, sentaram ao meu lado esnobando:

- 'Amanhã vamos para o nosso haras em Catanduva( São Paulo) O réveillon será no Guarujá'.

Me deu uma raiva... Peguei meu celular e resolvi mentir um pouco:

- 'Paulo, não encontrei nenhum 'Summer' para o réveillon. Abastece o jatinho.

Partimos amanhã cedo para Paris. Essa Daslu tá um lixo!'

A cara que os dois fizeram, não tem preço...

 
Gostou? Eu também, só que quando li, não conhecia o autor, mas como boa pesquisadora do Google que sou fui a caça de informações. Descobri que o autor é Denis Cavalcante (homônimo do artista plástico, mas não é ele, não se engane) Leiam este artigo, não é uma biografia, mas pelo menos dá para conhecer um pouco melhor o trabalho do Denis. Dá também para perceber que virei fã. Para mais crônicas de Denis Cavalcanti acessem O LIBERAL - DIGITAL

Quando os cronistas se encontram

Edição de 15/12/2008

Há 26, quase 27 anos, os leitores de O LIBERAL conhecem João Carlos Pereira. Denis Cavalcante também é velho - mas não tanto - conhecido dos leitores. João começou a escrever crônicas em 1982, num caderno que era a continuação do primeiro e que, na Redação, tinha o curioso nome de 'rabo'. Lá é que se publicavam as notícias de variedades, artes e espetáculos. Com o surgimento do Caderno 'Mulher', foi levado para o suplemento feminino. Quando surgiu um espaço só para cronistas, a coluna 'Bom Dia', mais uma vez mudou de lugar. Foi no 'Bom Dia' (inaugurado pelo João, a convite do redator-chefe, Walmir Botelho) que Denis Cavalcante e João Carlos Pereira encontraram-se, depois de percorrer caminhos paralelos no mesmo jornal. Quem lê o Denis, lê o João e vice-versa. A partir de agora, os dois mais antigos cronistas de O LIBERAL poderão ser lidos de uma vez só, sem que haja necessidade de se esperar pela sexta-feira, dia do Denis, ou pela segunda, do João. Eles estão juntos no livro 'Rio Memória', que será lançado hoje, a partir das 19 horas, na Assembléia Paraense da Presidente Vargas.

A experiência de fazer um livro a quatro mãos nasceu da amizade entre Denis e João. Eles se conheceram em 2002. A amizade não nasceu de uma vez. João Carlos Pereira e Denis Cavalcante foram, aos poucos, se encontrando. Eleito para a Academia Paraense de Letras, João viu o Denis começar a freqüentar a APL. Quando decidiu concorrer a uma vaga, no Silogeu, Denis tinha garantido, apenas, o voto do acadêmico Hilmo Moreira ('tudo é culpa do Hilmo', acusa). Nesse momento, João Carlos entrou na campanha e ajudou o novo amigo. Era outubro e, por um voto (um acadêmico esqueceu de mandar a cédula para os três escrutínios, certo de que o Denis se elegeria na primeira rodada e, ao enviar apenas uma voto, impediu a eleição do cronista) perdeu a eleição. Na noite em que foi proclamado o resultado, apenas Hilmo Moreira, eleitor da primeira hora, e João Carlos foram ao apartamento do quase-imortal para dizer que não desistisse. Tomaram uísque, conversaram e conseguiram dele compromisso de não desistir. Poucos meses depois, enfrentando outra campanha, foi eleito.


NA APL


Tanto Denis, quanto João, sabem que chegaram à APL a bordo das crônicas que publicaram em O LIBERAL. 'Tenho dito e escrito que minha vida mudou de rumo, depois que cheguei ao Jornal. Sem O LIBERAL e sem a Fundação Romulo Maiorana, onde trabalhei por muitos anos, pouco ou nada teria feito', agradece João. 'Meu caso é igual ao do João. Se o Walmir (Botelho - diretor-redator-chefe de O LIBERAL) não tivesse acreditado em mim, eu estaria no mais completo anonimato', diz Denis. As crônicas de 'Rio Memória' foram publicadas, inicialmente, em O LIBERAL e mostram Denis e João em sua melhor forma. 'Nós precisamos dizer muito obrigado também ao Altino Pinheiro, presidente da Imprensa Oficial, que muito tem ajudado a Academia e muito tem feito pelos autores paraenses. Nós temos uma dívida de gratidão para com ele', reconhecem os autores.

Denis Cavalcante é livreiro, jornalista (pertence, inclusive, à Academia Paraense de Jornalismo) e chef da cozinha do badalado restaurante 'Baú Bistrô'. No quarto ano do curso de medicina, resolveu que não queria ser médico e mergulhou no mundo dos livros. João Carlos é jornalista, pertence ao Conselho Estadual de Cultura do Pará e é professor universitário. O tempo não revela a dimensão da amizade que une os dois acadêmicos. 'O Denis sempre teve um amigo que fosse o contraponto dele. É agitado, irrequieto, fala alto e diz o que pensa, antes de pensar. O João é o inverso: é calmo, ponderado e só fala depois de muito pensar. O curioso que o Denis gosta de pessoas assim. O Luis Roberto Meira era como o João e os dois foram irmãos. O João, hoje, é o irmão que o Denis não teve', compara Rejane Cavalcante, esposa do Denis. 'O João e o Denis são água e vinho. Mas o João gosta muito do Denis. Gosta dele como um irmão. Quando o telefone dele toca antes de 8 horas, eu já sei: é o Denis. E isso é todo dia, todos os dias do ano. Quando o Denis não liga, ele liga', entrega Emília Farinha Pereira, esposa do João. 'São dois cronistas da melhor qualidade. Posso dizer que O LIBERAL está muito bem servido com eles. O João e o Denis seriam cronistas de primeira grandeza em qualquer lugar do Brasil. Para nossa sorte, eles estão em Belém', elogia o presidente da APL, acadêmico Édson Franco, que deu posse aos dois. 'Eles já preparam três belas antologias para a Academia. Este é, portanto, o quarto trabalho que fazem a quatro mãos’, acrescenta

Cronistas do cotidiano, Denis e João têm estilos bem diferentes, mas, no geral, tratam, essencialmente, do ser humano. 'O João diz que eu escrevo para fora e ele, para dentro. Pode ser. Não sei bem o que é isso, mas acho que ele tem razão'. 'O Denis é mais um contador de histórias. E isso ele faz como ninguém. Eu tenho outro jeito de fazer crônica. Vou mais pelos caminhos da alma. Mas cada um é cada um e assim como há crônicas do Denis que eu gostaria de ter assinado, há textos meus que ele garante que roubaria para dizer que eram dele. Na verdade, nós somos amigos fraternos e isso basta', finaliza João.

Belém, Quarta, 18/11/2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

FACUNDO CABRAL


Facundo Cabral é um cantor Argentino, nascido em 22 de maio de 1937 na cidade de Balcarce, província de Buenos Aires, Argentina. Em tenra idade seu pai deixou a casa deixando a mãe com três filhos, que emigraram para Tierra del Fuego no sul da Argentina.
Cabral teve uma infância dura e desprotegida, tornando-se um marginal, a ponto de ser internado em um reformatório. Em pouco tempo conseguiu escapar e, segundo conta, encontrou Deus nas palavras de Simeão, um velho vagabundo

Em 1970, ele gravou "No Soy De Aquí, Ni Soy De Allá" e seu nome fica conhecido em todo o mundo, gravando em nove idiomas e com cantores da estatura de Julio Iglesias, Pedro Vargas e Neil Diamond, entre outros.

Influenciado, no lado espiritual, por Jesus, Gandhi e Madre Teresa de Calcutá, na literatura por Borges e Walt Whitman, sua vida toma um rumo espiritual de observação constante em tudo o que acontece em seu redor, não se conformando o que vê, durante sua carreira como um cantor de Música Popular e, toma o caminho da crítica social, sem abandonar o seu habitual senso de humor.

Como um autor literário, foi convidado para a Feira Internacional do Livro, em Miami, onde conversou sobre seus livros, entre eles: “Conversaciones con Facundo Cabral”, “Mi Abuela y yo”, “Salmos”, “Borges y yo”, “Ayer soñé que podía y hoy puedo”, y el “Cuaderno de Facundo”.
Em reconhecimento do seu constante apelo à paz e amor, em 1996, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) o declarou "Mensageiro mundial da Paz”.

Fonte: Facundo Cabral na Wikipedia


Não estás deprimido, estás distraído.

Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia, golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me. O que é fundamental para viver.
Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.
Não estás deprimido, estás distraído.
Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção.
E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.
Não existe a morte, apenas a mudança.
E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, São Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.
Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural.
Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor.
Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida. A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha;
a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo.
E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.
Lembra-te: "Amarás ao próximo como a ti mesmo".
Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.
Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.
Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas:
se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)
Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido... portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade,
disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.
Não estás deprimido, estás desocupado.
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
Dá sem medida, e receberás sem medida.
Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor.
E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas.
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso.
Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.
Facundo Cabral


Fonte: PENSADOR.INFO
www.calixto.com.br

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

HEITOR VILLA-LOBOS - PEQUENA BIOGRAFIA - TRENZINHO CAIPIRA & BACHIANAS


Maestro e compositor brasileiro
Heitor Villa-Lobos
05/03/1887, Rio de Janeiro (RJ)
17/11/1959, Rio de Janeiro (RJ)

Heitor Villa-Lobos se tornou conhecido como um revolucionário que provocava um rompimento com a música acadêmica no Brasil. As viagens que fez pelo interior do país influenciaram suas composições. Entre elas, destacam-se: "Cair da Tarde", "Evocação", "Miudinho", "Remeiro do São Francisco", "Canção de Amor", "Melodia Sentimental", "Quadrilha", "Xangô", "Bachianas Brasileiras", "O Canto do Uirapuru", "Trenzinho Caipira".



Em 1903, Villa-Lobos terminou os estudos básicos no Mosteiro de São Bento. Costumava juntar-se aos grupos de choro, tocando violão em festas e em serenatas. Conheceu músicos famosos como Catulo da Paixão Cearense, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e João Pernambuco.

No período de 1905 a 1912, Villa-Lobos realizou suas famosas viagens pelo norte e nordeste do país. Ficou impressionado com os instrumentos musicais, as cantigas de roda e os repentistas. Suas experiências resultaram, mais tarde, em "O Guia Prático", uma coletânea de canções folclóricas destinadas à educação musical nas escolas.

Em 1915, Villa-Lobos realizou o primeiro concerto com suas composições. Nessa época, já havia composto suas primeiras peças para violão "Suíte Popular Brasileira", peças para música de câmara, sinfonias e os bailados "Amazonas" e "Uirapuru". A crítica considerava seus concertos modernos demais. Mas à medida que se apresentava no Rio e São Paulo, ganhava notoriedade.

Em 1919, apresentou-se em Buenos Aires, com o Quarteto de Cordas no 2. Na semana da Arte Moderna de 1922, o aceitou participar dos três espetáculos no Teatro Municpal de São Paulo, apresentando, entre outras obras, "Danças Características Africanas" e "Impressões da Vida Mundana".

Em 30 de junho de 1923, Villa-Lobos viajou para Paris financiado pelos amigos e pelos irmãos Guinle. Com o apoio do pianista Arthur Rubinstein e da soprano Vera Janacópulus, Villa-Lobos foi apresentado ao meio artístico parisiense e suas apresentações fizeram sucesso.



Retornou ao Brasil em final de 1924. Em 1927, voltou à Paris com sua esposa Lucília Guimarães, para fazer novos concertos e iniciar negociações com o editor Max Eschig. Três anos depois, voltou ao Brasil para realizar um concerto em São Paulo. Acabou por apresentar seu plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Em 1931, o maestro organizou uma concentração orfeônica chamada "Exortação Cívica", com 12 mil vozes. Após dois anos assumiu a direção da Superintendência de Educação Musical e Artística. A partir de então, a maioria de suas composições se voltou para a educação musical. Em 1932, o presidente Vargas tornou obrigatório o ensino de canto nas escolas e criou o Curso de Pedagogia de Música e Canto. Em 1933, foi organizada a Orquestra Villa-Lobos.

Villa-Lobos apresentou seu plano educacional, em 1936, em Praga e depois em Berlim, Paris e Barcelona. Escreveu à sua esposa Lucília pedindo a separação, e assumiu seu romance com Arminda Neves de Almeida, que se tornou sua companheira. De volta ao Brasil, regeu a ópera "Colombo" no Centenário de Carlos Gomes e compôs o "Ciclo Brasileiro" e o "Descobrimento do Brasil" para o filme do mesmo nome produzido por Humberto Mauro, a pedido de Getúlio Vargas.

Em 1942, quando o maestro Leopold Stokowski e a The American Youth Orchestra foram designados pelo presidente Roosevelt para visitar o Brasil O maestro Stokowski realizou concertos no Rio de Janeiro e solicitou a Villa-Lobos que selecionasse os melhores músicos e sambistas, a fim de gravar a Coleção Brazilian Native Music. Villa-Lobos reuniu Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Cartola e outros, que sob sua batuta realizaram apresentações e gravaram a coletânea de discos, pela Columbia Records.

Em 1944/45, Villa-Lobos viajou aos Estados Unidos para reger as orquestras de Boston e de Nova York, onde foi homenageado. Em 1945 fundou a Academia Brasileira de Música. Dois anos antes de sua morte, o maestro compôs "Floresta do Amazonas"para a trilha de um filme da Metro Goldwyn Mayer. Realizou concertos em Roma, Lisboa, Paris, Israel, além de marcar importante presença no cenário musical latino-americano.

Praticamente residindo nos EUA entre 1957 e 1959, Villa-Lobos retornou ao Brasil para as comemorações do aniversário do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Com a saúde abalada, foi internado para tratamento e veio a falecer em novembro de 1959.

FONTE: http://educacao.uol.com.br/biografias/

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

CHICO BUARQUE



O Meu Amor

Teresinha:
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai

Lúcia:
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai

As duas:
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

Lúcia:
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai

Teresinha:
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai

A duas:
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

SONHADORA - Dreamer: Inspired by a True Story






Sinopse
O treinador Ben Crane (Kurt Russell) e sua filha Cale (Dakota Fanning) passam a cuidar de um cavalo ferido. Logo os dois desenvolvem um carinho especial pelo animal e lutam para se recupere logo. Quando isso acontece, pai e filha resolvem increvê-lo no Breeders' Cup, uma importante corrida de cavalos.

Informações Técnicas
Título no Brasil: Sonhadora
Título Original: Dreamer: Inspired by a True Story
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Classificação etária: Livre
Tempo de Duração: 102 minutos
Ano de Lançamento: 2005
Estréia no Brasil: 20/10/2006
Site Oficial: http://www.dreamworks.com/Dreamer/
Estúdio/Distrib.: Downtown Filmes
Direção: John Gatins



Elenco
Kurt Russell .... Ben Crane
Dakota Fanning .... Cale Crane
Kris Kristofferson .... Pop Crane
Elisabeth Shue .... Lily
David Morse .... Palmer
Freddy Rodríguez .... Manolin
Luis Guzmán .... Balon
Oded Fehr .... Prince Sadir
Ken Howard .... Bill Ford
Holmes Osborne .... Doc Fleming
Antonio Albadran .... Prince Tariq
John Moyer .... Security Officer
Kayren Butler .... Teacher
Tommy Barnes .... Short Steward
Frank Hoyt Taylor .... Chairman

CURIOSIDADES

*O roteiro de Sonhadora foi apresentado na Paramount Pictures e na Warner Bros, mas ambos recusaram o projeto.

*O diretor John Gatins recebeu dos produtores o aviso de que se conseguisse Dakota Fanning para estrelar Sonhadora a produção do longa-metragem seria autorizada. O diretor então entrou em contato com o agente da atriz e, após várias reuniões, conseguiu acertar sua presença no elenco.

*O personagem Cale Crane foi inicialmente idealizado como um garoto, tendo sido mudado de sexo para que Dakota Fanning pudesse interpretá-lo.

*Kurt Russell comprou para Dakota Fanning um verdadeiro cavalo Palomino, que recebeu o nome de Goldie.

INFORMAÇÕES: WWW.BASTACLICAR.COM.BR

sábado, 29 de agosto de 2009

Sempre heróico John Wayne em "El Dorado"



EL DORADO (1966)
Directed By Howard Hawks
JOHN WAYNE as Cole Thornton
Starring Robert Mitchum, James Caan,
Arthur Hunnicutt, Paul Fix.......
"El Dorado"
Lyrics by John Gabriel
Music by Nelson Riddle
Song by George Alexander

To sunshine and shadow, from darkness till noon
Over mountains that reach from the sky to the moon
A man with a dream that will never let go
Keeps searching to find El Dorado

So ride, boldly ride, to the end of the rainbow
Ride, boldly ride, till you find El Dorado

The wind becomes bitter, the sky turns to grey
His body grows weary, he can't find his way
But he'll never turn back, though he's lost in the snow
For he has to find El Dorado

So ride, boldly ride, to the end of the rainbow
Ride, boldly ride, till you find El Dorado

My Daddy once told me what a man ought to be
There's much more to life than the things we can see
And the godliest mortal you ever will know
Is the one with the dream of El Dorado

So ride, boldly ride, to the end of the rainbow
Ride, boldly ride, till you find El Dorado



Sempre heróico John Wayne em "El Dorado" e "Chisum"
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 01 de março de 1992


Nenhum ator personificou melhor a imagem do herói do oeste do que John Wayne (Marion Michael Morrison, 26/5/1907-16-6-1979). Ex-jogador de ruby em seus tempos universitários, chegou ao cinema com stunt-man privilegiado pelo seu físico. Foi Raoul Walsh que lhe deu sua primeira chance de aparecer como ator em "Salute" (1929), mas seria o seu maior amigo, John Ford (1895-1973) que lhe daria o primeiro papel principal - no clássico "No Tempo das Deligências" (Stagecoach, 1939).

Em mais de 40 anos de cinema, Wayne fez dezenas de filmes. Era um direitista radical (chegou a financiar e dirigir o mais reacionário filme contra o Vietnã, "Os Boina Verdes", em 1967) e sempre identificou-se aos personagens másculos, heróicos, "cem por cento americanos". Nacionalista ao extremo, produziu e dirigiu também "Alamo" e apesar de repetir sempre o mesmo tipo teve atuações marcantes em filmes como "Depois do Vendaval" (True Grit, 69, de Henry Hathaway).

Campeão de bilheterias, verdadeiro imã para o público que sempre apreciou seu estilo de machão, John Wayne continua a repetir, 13 anos após a sua morte, a sua popularidade agora transferida para as locadoras nos quais a cada mês aparecem filmes por ele estrelados. A Repúblic - via Paris Filmes - dispõe do rico catálogo que tem Wayne em dezenas de produções, desde o clássico "Depois do Vendaval" até o aventuroso "O Rastro da Bruxa Vermelha", lançado há poucos dias. Agora, a CIC Vídeo está colocando nas locadoras um dos bons e vigorosos westerns estrelados por Wayne - "El Dorado", 1966, de Howard Hawks (1896-1977), que é uma espécie de seqüência de "Onde Começa O Inferno" (Rio Bravo, 59) com a mesma temática: xerife enfrenta com pouca ajuda bando de facínoras. Embora constantemente reprisado na televisão, este western classe A, com música de Nelson Riddle e roteiro de Leight Brackett baseado no livro "The Stars In Their Courses" [de] Harry Brown, merece sempre ser revisto. No elenco, destaca-se também Roberto Mitchum, em excelente atuação.

Nos últimos anos de sua vida, John Wayne fez alguns westerns menores - mas nem por isto desprezíveis. Foi o caso de "Chisum" que agora com o subtítulo de "Uma Lenda Americana" está sendo lançado pela Europa Vídeo. Produção de 1968, Wayne contracenava com veteranos do gênero como Ben Hohnson e Forrest Tucker - e intérpretes que acabaram esquecidos (Bruce Cabot, Glenn Corbett, Patricy Knowles, Andre Prine etc.). O produtor foi Andrew Victor McLaglen (filho do ator Andrew, um dos maiores amigos de John Ford e John Wayne) e foi dirigido por Andrew J. Fenaday - que não fez carreira. O roteiro misturou um personagem histórico - o barão latifundiário e dono de rebanhos no Novo México, John Simpson Chisum, no Novo México, com uma lenda do oeste - a luta entre Billy "The" Kid (William H. Honneh, 1859-1881) e seu duelo fatal com Pat Garret, em 15 de julho de 1991. Poucos personagens tem sido tão fantasiados no cinema como "Billy The Kid", e nesta versão uma nova ótica do [célebre] pistoleiro é colocada - em confronto ao capitalismo selvagem que já se estabelecia nas imensas extensões do Novo México na segunda metade do século passado.

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Veiculo: Estado do Paraná Caderno ou Suplemento: Nenhum Coluna ou Seção: Vídeo/Som Página: 21 Data: 01/03/1992
Related Posts with Thumbnails